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Entrevista | Alexandre Biondi - Filosofia do Sexo
 
 

1) Como surgiu a idéia de escrever “Filosofia do Sexo”?
E quem escolheu o título para o espetáculo? Para isso eu acho que devo explicar o surgimento da companhia marquesa de teatro. Quando resolvi fundar uma companhia eu queria trabalhar com teatro de uma forma diferente só minha. Muitas vezes não me senti totalmente á vontade em outros grupos. Então surgiu a Cia. Marquesa de Teatro. Queria mostrar que o teatro poderia tero mesmo lirismo e fascínio do cinema. Resolvi me especializar em Tennessee Williams (minha verdadeira paixão). Acabei estudando a estrutura dramatúrgica dele e como ele apresentava sua trama. Me matava vendo todas as suas obras em filmes e tentando achar um ele de ligação entre a peça e a obra cinematográfica. Foi aí que surgiu meu primeiro espetáculo, foi um trabalho com o Dr. Marco Antônio Guerra, meu professor de História de Arte na Universidade São Judas Tadeu. Começamos a mapear a história e os registros da cultura norte-americana até chegar a quatro textos curtos do Tennessee Williams (fala comigo doce como se fosse a chuva, esta propriedade esta condenada, algo que não é falado e Lady Vaselina). Este trabalho auxiliado também pelo Warde Marx e alguns alunos da fundação das artes de São Caetano do Sul . Foi um trabalho muito rico pois todos traziam suas pesquisas sobre autor, período e também uma nova leitura sobre a obra. Em cima desta análise futuramente eu reorganizei os textos e surgiu o espetáculo “Um Demorado Adeus...”. Meu primeiro espetáculo como diretor, foi um grande desafio, muitas incertezas e insegurança no processo. Estreamos no CCAA Guapira, em um clube de campo na Zona Norte. Só então vimos como é difícil produzir um espetáculo de verdade e ficar fora do circuito teatral. Até pela minha inexperiência e na época também da minha sócia Ignes Polidoro, e falta de grana o espetáculo não teve tanta visualização. Resolvemos então trazê-lo mais para o centro e o reestreamos no centro cultural Joffre Soares, na Rua Major Diogo. O espetáculo começou a despontar no Ano fomos pré-selecionados ao “Prêmio Shell” de 2002 em duas categorias Atriz e Atriz Coadjuvante.. Continuando o meu trabalho sobre vida e obra de Tennessee Williams, resolvi me deter num trabalho sobre suas obras e resolvi dividir sua vida em três partes que resultariam em três espetáculos distintos. “Sublime Obsessão” que ilustrava o realismo naturalista do autor. Tristezas inquietante, onde levasse o público a pensar, e por fim vidas em fuga, onde mostrávamos os últimos trabalhos de Tennessee Williams e sua incursão no teatro do Absurdo. Novamente com a montagem do tristezas americanas espetáculo que foi aclamado pela crítica mas como todos sabemos que no Brasil é tão difícil público para Drama, principalmente se você não tiver um nome conhecido no elenco. Foi uma grande experiência novamente fomos pré-selecionados ao “Prêmio Shell” de 2005. Com atriz, iluminação e direção. Desta repercussão acabamos tendo contato com Paulo Trevisan que me convidou para dirigir um texto seu, que foi feito para sua esposa a atriz Patrícia Lucchesi. Este projeto foi muito importante para minha carreira pois ele projeto reunido com os integrantes da companhia resolvemos que iríamos nos incursionar pelo mundo da comédia. Queríamos ser diferentes, não fazer uma comédia igual as outras e sim uma novidade. Então surgiu fazermos um seriado, espetáculo seriado. Queria alguma coisa inteligente e engraçada. Nada melhor que falar de sexo de uma maneira divertida e descompromissada. Surgindo então “Filosofia do Sexo”. O título veio numa tarde enquanto eu terminava o texto . Queria algo que deixasse claro que era um espetáculo sobre sexo mas que, o público soubesse que não abordaríamos o sexo em si, mas sim a situação que o envolve. Acho que não há palavra melhor que Filosofia: Discussão acerca de algo, do homem.

2) Como é para você dirigir e atuar?
Dá para corrigir alguma cena de outros atores no meio do espetáculo? Sinceramente muito complicado. Pois quando você está dentro do processo muita coisa a gente não consegue analisar como espectador. Para mim um grande sofrimento. Já tentei sair várias vezes mas não consigo, o personagem Charles não deixa. Sim. Dá. Eu sempre busco colocar poucas cenas para mim, na tentativa de poder ficar com um tempo livre maior para dirigir.

3)Você tem em seu elenco em minha opinião uma das grandes atrizes desta nova Geração que é “Eliana Ravanhani”, como é trabalhar com ela?
É fantástico. Quando você tem um grande ator em mãos e ele acredita no trabalho do diretor é ótimo, pois ambos conseguem uma simbiose na construção e elaboração do personagem. Acredita que tanto eu quanto a Eliana entendemos o universo do outro profundamente e isso faz com que o trabalho seja prazeroso e completo. É muito bom você ter alguém em quem confiar e não ter medo de arriscar acho que foi assim com ela. Nosso maior desafio foi a personagem “Lucréia”. No “Tristezas Americanas” uma mulher velha, despida de qualquer beleza física e atratividade, e tenho certeza que conseguimos alcançar este objetivo, ela foi pré-selecionada ao “Prêmio Shell” de melhor Atriz. E agora no “Filosofia” um outro universo a Karen a sua personagem uma mulher jovem, bonita e altamente provida de de sensualidade vem mostrar um trabalho maduro de uma atriz jovem e muito consciente do teatro atual.

4)É mais fácil para você escrever comédia ou drama?
Drama, sem dúvida nenhuma, drama está intrínseco em mim. Acho que sou quase um dramalhão mexicano ambulante. A comédia, para mim, ela requer uma série de subterfúgios que acho complicado de buscar e também de deixar verossímel, mas é um desafio que adoro fazer.

5)Fale um pouco sobre o ator, produtor, diretor e autor Alexandre Biondi?
Falar sobre mim!!! Difícil, como ator: Creio que sou realizado pois tudo que quis foi atrás e consegui fazer, não sei se da melhor maneira possível mas fiz. Brincadeiras a parte, sempre fui uma pessoa que corri atrás dos meus objetivos de vida e quando decidi ser ator foi assim também, enquanto todos me diziam você vai passar fome é uma profissão ingrata. Eu olhava para vim e dizia mas é o que eu sei fazer e é com isso que eu vou trabalhar. Graças a Deus estou aí trabalhando a todo vapor e super feliz. Como produtor: Estou começando ainda. Não tenho muito o que dizer apenas, temos que produzir para poder viver. O que eu aprendi é que, quando produzo posso ficar mais perto do público e ver o que realmente eles querem ou esperam de um projeto. Felizmente teatro é algo que fazemos para os outro e não para nós mesmos e isso é importantíssimo ver a reação das pessoas enquanto assinamos algo. Eu acho que de todas as possibilidades a que mais me realiza é como diretor e autor. Eu posso criar um mundo mágico paralelo. Ao que vivemos com tudo aquilo que eu acredito e gosto. Procuro trazer realidade de uma maneira mas romântica, isso vem da minha ms. Essa visão romântica do mundo. O mundo pode estar desabando mas sempre há um amanhã melhor e mais bonito. Acredito realmente nisto e por isso gosto de mostrar isso para as pessoas dar novas possibilidades de visão do mundo. Quando escrevo eu acredito realmente no que estou dizendo e vejo como se fosse um filme em minha cabeça as cenas. Uma das coisas que faço é ter o elenco pronto, às vezes não tenho nem o texto mas já tenho o elenco e assim fica mais fácil para mim compor o texto e os personagens, pois fico imaginando como cada ator o faria, como ele encararia o problema proposto é muito mágico e fantástico. Não sei se é a melhor solução mas para mim funciona muito. Quando você dirige, parece uma música. A voz, a trilha, o silêncio, tudo deve compor uma melodia profunda e perturbadora. Isso é uma das coisas que busco muito nos meus espetáculos e sim fechar os olhos e ouví-lo e ver como ele acontece, vejo as cenas na minha cabeça? Só assim sei se eu realmente gostei ou não. Na plástica gosto de cores e formas. Gosto de ver como os outros vêem o espetáculo de que maneira o público absorve aquilo que lhes é mostrado.

6)O que você falaria para um jovem que quer ingressar na carreira de ator, atriz nos dias de hoje?
Você tem certeza que deseja isso! Se realmente quer então comece de cabeça erguida. Ser ator é muito difícil, estamos num país onde a cultura não é valorizada como deveria ser. È uma profissão difícil como muitas e que nem sempre o reconhecimento chega. Acho que não se deve desistir e sim lutar que um dia você será reconhecido e terá o seu lugar ao sol. Estou aí a quinze anos de luta e só agora consegui me tornar mais um no meio de tantos. Não digo nem reconhecido por que muita gente que você perguntar quem é Alexandre Biondi vai dizer não sei. Nunca ouvi falar. Mas é uma profissão que lhe trás muitas alegrias e emoções diárias e eternas. Vale a pena tenter!

7)Como foi definir o elenco deste espetáculo, foram muitos testes ou você conseguiu reunir fácil o talento de cada um com os papéis que você tinha para filosofia do sexo?
Na verdade trabalho com amigos. Dificilmente abro testes. Gosto de conhecer a pessoa que vem trabalhar comigo e principalmente quero que eles gostem da equipe por isso sempre opto pelo amigos é mais uma chance de dar certo pois todos estão juntos unidos por um bem comum, o sucesso do projeto.

8)A que você atribui o sucesso de Filosofia?
E fale um pouco do que você acha interessante destacar para o público sobre o espetáculo e por que os associados do clube devem assistí-lo? Sucesso, não sei ainda! Mas tenho certeza que chego lá. Acho que a todos os amigos, parceiros e a todos aqueles que acreditam no nosso trabalho e nos ajudam a divulgar o filosofia. Não é fácil, mas graças a Deus tenho pessoas maravilhosas ao meu lado que estão empenhados no sucesso do espetáculo. Estamos falando sobre relacionamentos. Quantos estão aí a procura de alguém mas se esquecem do principal que é primeiramente estar bem, feliz sozinhos, para depois ir atrás de alguém. Acho que isso que é a alavanca motriz do espetáculo a busca da felicidade individual e isso é fabuloso pois cada dia mais vemos como as pessoas se identificam com cada um dos personagem e com suas vidas. É claro que o que colocamos nos palcos é algo mais exagerado para levar a graça, o riso. Mas as circunstâncias são reais. E também que é um espetáculo seriado faz com que as pessoas voltem para ver o que aconteceu com cada um dos personagens nesta busca frenética que é o amor. A todos os associados por favor venham embarcar com Karen, Miro, Charles e Sandra nesta hilariante comédia que trás uma das perguntas mais quentes do momento !”será que as mulheres podem fazer sexo como os homens, ou ainda, será que os homens podem amar como as mulheres” venha descobrir e nos ajudar a descobrir também. Esperamos todos vocês de braços abertos!!!

9)Enfim, podemos esperar um novo projeto de Alexandre Biondi para breve?
Sim. Em agosto o segunda episódio do “Filosofia do Sexo” (o estranha mundo dos casais casados) a eterna luta entre casais e solteiros e um novo projeto, uma peça romântica sobre o amor. “Um amor para toda vida” - è possível amar alguém que você nunca viu? E se você encontrasse o amor da sua vida, mas e se vocês estivessem separados por dois anos? Um amor sem limites e um lugar que se estende através do tempo. Não percam uma linda e emocionante história de amor. Um grande abraço e sucesso para você Marcelo e toda equipe fantástica do Clube do Teatro Brasil

 
 
 
 
 
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